segunda-feira, 23 de agosto de 2010
A VIA CRUCIS DO CORPO
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
MARCAS NO PESCOÇO
Álvaro A. L. Domingues
Assustou-se ao ver uma mancha roxa no pescoço da irmã, mas não perguntou nada.
Ele só tinha oito anos, mas sabia tudo sobre aquilo: sua irmã tinha sido atacada por um vampiro.
Isso explicava o comportamento estanho dela, desde que fizera dezesseis anos: dormia até tarde, irritava-se com a luz solar e saia muito à noite. Sua mãe não ligava, e dizia, quando ele manifestava suas suspeitas, que era apenas adolescência. Que ele entenderia quando chegasse sua vez.
Talvez a mãe soubesse do estado da filha e estivesse escondendo. Ficou preocupado com o “quando chegasse sua vez”. Viraria um vampiro também? Talvez sua mãe também fosse uma. Mas ela sempre levantava cedo para levá-lo à escola. Mas e aquele livro que sua irmã lera que tinha vampiros que brilhavam sob o sol?
O jeito era descobrir. Alho, estaca e crucifixo? Sua irmã detestava alho! Mas espere! Ele também! E desde sempre. E ele ainda não era um vampiro! Portanto o alho não servia pra nada.
A estaca, só como último recurso. Mesmo que a irmã fosse um vampiro, nunca iria lhe espetar uma estaca no coração ( na realidade, a estaca era um pedaço de cabo de vassoura, apontado a facão, como um lápis). Restava o crucifixo. A avó lhe dera um grande, por conta da primeira comunhão.
Ficaria esperando quando ela voltasse de uma de suas saídas noturnas, a surpreenderia e mostraria o objeto religioso. Levaria a estaca também, por via das dúvidas, caso ela o agredisse.
Foi que fez. Ficou escondido na sala, atrás da cortina, esperando que ela abrisse a porta. Ela chegou, mas não estava sozinha. Um rapaz todo de preto a acompanhava. Os dois, ainda na penumbra, sentaram-se no sofá. E logo começaram os abraços e beijos. Foi quando ele procurou novamente o pescoço da moça. O garoto não se conteve. Com um urro pulou de trás da cortina, bradando crucifixo e a estaca.
O rapaz levou um susto e berrou:
– Quem é esse maluco?
– É o meu irmão! – respondeu a garota.
Ele olhou para o menino, cheio de pavor, e continuou gritando:
– Eu que não fico nem mais um minuto aqui!
E saiu correndo pela porta de entrada.
A irmã se voltou pra ele fula! Ela queria estrangulá-lo, gritando:
– Seu moleque do capeta! Você espantou meu namorado!
– Seu namorado? Pois ele é um vampiro! – retrucou o menino.
A gritaria acordou sua mãe, que apartou a briga com um sabão bem dado nos dois. Quando tudo ficou mais calmo, o garoto contou à mãe o motivo da briga. A marca roxa. A senhora gargalhou, deixando o menino perplexo e explicou:
– Isso é um marca de um beijo um pouco mais afoito do rapaz. Sua irmã permitiu alguns avanços demais (depois eu acerto com você, mocinha!) do namorado. Não é o beijo de um vampiro!
O garoto, envergonhado, voltou para a cama. Não perturbaria mais a irmã, mas ainda deu um ultimo olhar desconfiado pra ela, antes de subir pro quarto.
No dia seguinte, a mãe e a moça foram procurar o namorado, para esclarecer “algumas coisinhas”. Chegaram ao endereço que ele fornecera e encontraram uma casa abandonada. Um arrepio percorreu o corpo das duas...
Leia mais contos deste autor no: Sombras e Sonhos.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
THE GOOD GUYS
Série despretensiosa da FOX sobre dois policiais muito diferentes. Clichê até no talo, mas mesmo assim bastante divertida
sábado, 14 de agosto de 2010
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
A batalha do apocalipse!

Quem foi que disse que não existe bons livros de ficção escrito por autores tupiniquins?
No livro A batalha do Apocalipse de autoria do escritor brasileiro Eduardo Spohr, pode-se encontrar elementos que vão de títulos da vertigo (Hellblazer, preacher e sandman) a senhor dos anéis. A obra que hoje figura entre os dez mais vendidos no pais, teve sua primeira tiragem de forma independente após o autor ser premiado em um concurso literário que lhe daria direito a alguns milhares de exemplares (que não sei a certo e não me dei ao trabalho de perguntar ao oráculo) e posteriormente, teve seus direitos vendidos a uma editora. Otimo livro, recomendo.
Para os interessados em saber mais...
SINOPSE:
Há muitos e muitos anos, há tantos anos quanto o número de estrelas no céu, o Paraíso Celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania dos poderosos arcanjos, levantando armas contra seus opressores. Expulsos, os renegados foram forçados ao exílio, e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o dia do Juízo Final.
Mas eis que chega o momento do Apocalipse, o tempo do ajuste de contas, o dia do despertar do Altíssimo. Único sobrevivente do expurgo, o líder dos renegados é convidado por Lúcifer, o Arcanjo Negro, a se juntar às suas legiões na batalha do Armagedon, o embate final entre o Céu e o Inferno, a guerra que decidirá não só o destino do mundo, mas o futuro do universo.
Das ruínas da Babilônia ao esplendor do Império Romano; das vastas planícies da China aos gelados castelos da Inglaterra medieval. A Batalha do Apocalipse não é apenas uma viagem pela história humana, mas é também uma jornada de conhecimento, um épico empolgante, cheio de lutas heróicas, magia, romance e suspense.
Trailer no Youtube:
Site oficial:
http://jovemnerd.ig.com.br/abatalhadoapocalipse/
terça-feira, 10 de agosto de 2010
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
FOME
Elise Blackwell
Durante o Verão de 1943, gatinhos eram comprados e vendidos através do painel perto do meu apartamento por uma quantia que chegava aos dois mil rublos. Já não eram comidos, mas eram procurados para caçar ratazanas, as mesmas que tinha servido outrora de fonte escassa de proteína, e eram agora um incómodo. Ninguém em Leninegrado agora comia ratazanas ou admitia que alguma vez as tivesse comido.
As famosas palmeiras dos Jardins Botânicos estavam mortas, mas as tílias floresceram em Junho. Finalmente devolvi os cactos que a minha Alena tinha salvo com a própria saliva e tacto, e que tinham, de alguma forma, sobrevivido primeiro à minha falta de atenção e depois à minha atenção. Fui profusamente saudado pelos seus amigos de lá. Uma mulher corajosa, uma cientista notável, uma mente pura. Sim, anuí, era tudo isso.
Em Julho, tínhamos morangos, groselheiras vermelhas, framboesas, vitela, funcho, nabos, abóbora-menina. Mussolini demitiu-se, e a Itália capitulou. Rosas podiam ser compradas.
Agosto trouxe lilases tardios e chuvas finas como cabelo. Mas os bombardeamentos tornaram-se mais letais à medida que os alemães, sentindo uma reviravolta e sabendo que o primeiro bombardeamento é sempre o mais perigoso, tentaram matar um maior número de nós, trocando bombardeamentos longos, quase aborrecidos, por um grande número deles mais curtos. Eu ouvia o assobio, depois a explosão, depois perscrutava o céu branco pela coluna de fumo, colorida pelo que quer que tivesse sido atingido. Às vezes o fumo era da cor do cinzento da pedra, do vermelho do tijolo. Às vezes era da tonalidade precisa e improvável da carne humana.
No meu caminho para o instituto, após uma série de bombardeamentos ocorrerem não muito longe do nosso apartamento, vi um braço, separado de uma mulher não visível, a segurar um cigarro ainda aceso. A disponibilidade do tabaco era um sinal de melhores tempos que viriam, pensei, e depois castiguei a minha mente pelo rumo que tinha tomado.
Um quarteirão mais à frente, vi um homem numa maca, com a metade esquerda da cabeça desaparecida e recheada com tecido de algodão, como se o tecido pudesse resolver números, mover-lhe os membros, sentir dor, lembrar uma pessoa amada.
domingo, 8 de agosto de 2010
sábado, 7 de agosto de 2010
A CELEBRAÇÃO DO LAGARTO
Jim Morrison
LEÕES NA RUA
Leões na rua & deambulando
Cães com o cio, enfurecidos, espumando
Uma besta encurralada no coração da cidade
O corpo da sua mãe
Apodrecendo no chão veronil
Ele abandonou a cidade
Foi para o Sul
E atravessou a fronteira
Deixou o caos & a desordem
Para trás
Por cima do ombro
Uma manhã ele acordou num hotel verde
Com uma estranha criatura gemendo ao seu lado.
Suada lamacenta da sua pele brilhante.
Estão todos?
Estão todos?
Estão todos?
A cerimónia está prestes a começar.
OS HABITANTES DA COLINA
Bem no fundo do cérebro
Passando bem o limiar da dor
Onde nunca há nenhuma chuva
E a chuva cai suavemente sobre a cidade
E sobre as cabeças de todos nós
E no labirinto de correntes por baixo
Sossegada e celeste presença de
Nervosos habitantes do monte nos suaves montes de volta
Répteis com fartura
Fósseis, cavernas, frescas elevações de ar
Cada casa repete um molde
Janela rolou
Um carro de besta trancado contra a manhã
Todos dormem agora
Cobertores silenciosos, espelhos livres
Pó cega debaixo das camas de casais legítimos
Enrolados em lençóis
E filhas, enevoada com sémen
Olhos nos seus mamilos
Esperem! Ouve um massacre aqui
Não pares para falar ou olhar em volta
As tuas luvas e o leque estão no chão
Vamos sair da cidade
Vamos de fuga
E tu és aquela que eu quero me vir!!
O PALÁCIO DO EXÍLIO
Durante sete anos habitei no livre Palácio do Exílio
Jogando estranhos jogos com as raparigas da ilha
Agora estou de volta à terra dos justos
E dos fortes e dos sábios
Irmãos e irmãs da pálida floresta
Crianças da noite
Quem de entre vós fugirá com a caça?
Agora a noite chega com a sua legião púrpura
Metam-se nas vossas tendas e nos vossos sonhos
Amanhã entramos na cidade do meu nascimentoQuero estar preparado.
As pessoas precisam de Fios
Escritores, heróis, estrelas,
dirigentes
Para dar sentido à vida
O barco de areia de uma criança virado
para o sol.
Soldados de plástico na guerra suja
em miniatura. Fortalezas.
Navios de Guerra de Garagem.
Rituais, teatro, danças
Para reafirmar necessidades Tribais & memórias
um chamamento para o culto, unindo
acima de tudo, um estado anterior,
um desejo da família & a
magia certa da infância.
Sabem do febril progresso sob as estrelas?
Sabem que nós existimos?
Esqueceram porventura as chaves do Reino?
Já foram dados à luz e estão vivos?
Vamos reinventar os deuses e os mitos das idades;
Celebrar símbolos do mais fundo das antigas florestas (Esqueceram as lições da guerra pretérita)
[...]
Sabem que temos sido levados
à matança por almirantes plácidos
e que lentos generais gordos se tornam
obscenos com o sangue jovem
(Fragmento de Uma Oração Americana)
?
You’re waiting for a train; a train that will take you far away. You know where you hope this train will take you, but you can’t be sure. Yet it doesn’t matter - because we’ll be together.
Inception.
A IRA DE KHAN
Khan: I’ve done far worse than kill you, Admiral. I’ve hurt you. And I wish to go on hurting you. I shall leave you as you left me, as you left her; marooned for all eternity in the center of a dead planet… buried alive! Buried alive…!
Kirk: KHAAAAAAANNNN!
Clique na imagem.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
UMA VIDA DE SONHO
Uma aventura do Tio Patinhas por Keno Don Rosa. Clique na imagem e leia a aventura completa. Note a coincidente similaridade entre esta história e Inception do Cristopher Nolan. Em inglês.
CLUBE DA LUTA
Porque esse filme é um clássico.
Eu vejo aqui as pessoas mais fortes e inteligentes.
Vejo todo esse potencial desperdiçado.
A propaganda põe a gente pra correr atrás de carros e roupas.
Trabalhar em empregos que odiamos para comprar merdas inúteis.
Somos uma geração sem peso na história.
Sem propósito ou lugar.
Nós não temos uma Guerra Mundial.
Nós não temos uma Grande Depressão.
Nossa Guerra é a espiritual.
Nossa Depressão, são nossas vidas.
Fomos criados através da tv para acreditar que um dia seriamos milionários, estrelas do cinema ou astros do rock.
Mas não somos.
Aos poucos tomamos consciência do fato.
E estamos muito, muito putos.
Você não é o seu emprego.
Nem quanto ganha ou quanto dinheiro tem no banco.
Nem o carro que dirige.
Nem o que tem dentro da sua carteira.
Nem a porra do uniforme que veste.
Você é a merda ambulante do Mundo que faz tudo pra chamar a atenção.
Nós não somos especiais.
Nós não somos uma beleza única.
Nós somos da mesma matéria orgânica podre, como todo mundo.
- Tyler Durden.
Vi no Sombra da Internet. Clique na imagem.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
INCEPTION
Preste atenção. O melhor filme do ano até agora não ofende a inteligência da platéia. É inteligente e ambíguo. Basicamente é um filme de golpe com nuances e ecos que continuam na cabeça depois que o filme acaba.
domingo, 1 de agosto de 2010
WONDERFALLS
Porque séries boas são canceladas. Porque Jaye Tyler era uma personagem fantástica. Louca? Inteligente? Sexy? Provavelmente.
