sábado, 9 de maio de 2009
sexta-feira, 8 de maio de 2009
as palavras de Lord Byron
O Enterro
No ano de 17.., depois de haver meditado por algum tempo sobre a possibilidade de viajar por países que até agora os viajantes não freqüentam muito, parti em companhia de um amigo, ao qual me referirei como August Darvell.
Era uns anos mais velho que eu, um homem de fortuna considerável e família de próspera. Vantagens que ele nem desprezava nem superestimava, graças a sua grande capacidade. Algumas circunstâncias singulares em sua historia pessoal o haviam convertido para em objeto de atenção, interesse e até de estima, que não diminuíam nem seus modos reservados nem as ocasionais mostras de angústia que às vezes o acometiam e o levavam a uma alienação mental.
Eu era todavia um jovem e havia começado a viver cedo; porém mi intimidade com ele era recente: assistimos a as mesmas escolas e universidade; mas seu passo por elas me havia precedido, e ele já se havia iniciado a fundo no que se tem chamado o mundo, enquanto eu estava no noviciado. Durante esse tempo, escutei detalhes em abundância tanto de sua vida passada como da presente e, ainda que nestas narrações havia muitas e irreconciliáveis contradições, podia eu inferir que ele não era um ser comum, senão alguém que, ainda que se esforçasse por não ser conspícuo, seguia sendo notável.
Havia travado conhecimento com ele e tentei conquistar posteriormente sua amizade, porém parecia que esta era inalcançável; os afetos que pudesse haver sentido aparentavam ter-se extinguido. Tive suficientes oportunidades para observar que seus sentimentos eram intensos; pois mesmo quando os podia controlar, lhe era impossível encobri-los por completo; sem embargo, tinha a faculdade de dar a uma paixão a aparência de outra, de modo que resultava difícil definir a natureza do que sucedia em seu interior; e as expressões de seu rosto podiam variar com tal rapidez, ainda que ligeiramente, o que resultava inútil tratar de esquadrinhar sua origem.
Era manifesto como o dominava uma angústia incurável; porém nunca pude descobrir se era causa a ambição, o amor, o remorso ou a pena, um só ou todos juntos, ou apenas por um temperamento mórbido, semelhante a uma enfermidade. Existiam circunstâncias supostas que poderiam justificar sua atribuição a qualquer destas causas; porém como antes disse, estas eram tão contrárias e contraditórias que nenhuma podia considerar-se definitiva.
Se supõe geralmente que onde há mistério existe também a perversidade: não sei como pode ser isto, porém é um fato que não existia o primeiro ainda que não poderia atestar os alcances da segunda —e estava pouco disposto, no que a ele se referia, a crer em sua existência. Recebia minha proximidade com bastante reserva; mas eu era jovem e difícil para o desalento; e, com o tempo, tive êxito ao entabular, até certo ponto, esse vinculo comum e essa confiança moderada dos interesses mútuos e cotidianos que criam e cimentam a comunhão de empenhos, e a frequência de encontros que se chama intimidade ou amizade segundo as idéias de quem utilizam essas palavras para sua expressão.
Darvell havia viajado muito; dirigi-me a ele para que me aconselhasse a respeito da viagem que pretendia realizar. Era meu desejo secreto que se deixasse persuadir a me acompanhar; ademais, era uma perspectiva improvável; baseada na vaga inquietude que havia observado nele e à qual davam renovada força ao entusiasmo que parecia sentir para tais temas e sua aparente indiferença por tudo o que o rodeava muito de perto.
A principio insinuei meu desejo e depois o expressei abertamente: sua resposta, ainda que eu a esperasse em alguma medida, me deu todo o prazer de uma surpresa: aceitou e, ao término dos preparativos necessários, começamos nossa travessia.
Depois de viajar por vários países do sul de Europa, voltamos a atenção para o Leste, de acordo com nosso destino original; e foi em nosso percurso através de estas regiões que ocurreu o incidente que dá ocasião a meu relato.
A complexão de Darvell, que, dada sua aparência, devia haver sido em sua juventude mais robusta que o normal, estava decaindo gradualmente desde algum tempo, sem que nenhuma enfermidade se manifestasse: não tinha tosse nem tísica; contudo, cada dia se debilitava mais; sues hábitos eram moderados, não admitia nem se queixava de fatiga; não obstante, era evidente que se estava consumindo: se volta cada vez mais e mais silencioso e insone e, por fim, se alterou de tão notável maneira que minha preocupação aumentou de maneira proporcional ao perigo que eu considerei lhe ameaçava.
A nossa chegada a Esmirna, nos havíamos proposto ir a uma excursão às ruínas de Éfeso e Sardis, da qual tentei dissuadi-lo devido à sua indisposição —porém em vão: parecia existir uma opressão em sua mente, e uma solenidade em seus modos que não correspondiam com sua ansiedade para seguir com o que eu considerava uma simples viagem de prazer, totalmente inadequado para uma pessoa delicada; porém não me opus mais, e uns dias depois partimos em companhia unicamente de um guia e um carregador.
Havíamos percorrido a metade do caminho até os vestígios e Éfeso, deixando atrás os contornos mas férteis de Esmirna e nos adentrávamos nessa região inóspita e desabitada através dos pântanos e desfiladeiros que levam às poucas choças que subsistem sobre as destroçadas colunas de Diana —as paredes sem teto da cristandade expulsa e mesmo mais recente porém total desolação das mesquitas abandonadas— quando a súbita e vertiginosa enfermidade de meu companheiro nos obrigou a deter-nos em um cemitério turco, cujas lápides coroadas de turbantes eram o único indicio de que a vida humana havia morado alguma vez nesse ermo. A única caravana que vimos havia passado umas horas atrás; não se podia ver nem esperar vestígio algum de povo ou sequer de caravana, e esta “cidade dos mortos” parecia ser o único refúgio para meu desafortunado amigo, que se via próximo a converter-se em seu seguinte morador.
Nesta situação, busquei pelos arredores um lugar no que pudesse repousar com mais comodidade: ao contrário do aspecto usual dos cemitérios maometanos, os ciprestes deste eram escassos, espalhados sobre toda a superfície; a maioria das tumbas estavam destruídas e desgastadas pelos anos: sob uma das maiores e sob uma das árvores mais frondosas, Darvell se apoiou, inclinando-se com grande dificuldade. Pediu água. Eu duvidava que pudéssemos encontrá-la, ainda que me dispusesse ir buscá-la apesar de meu desalento: porém ele desejava que eu permanecesse com ele; e voltando-se para Suleiman, nosso carregador, que fumava com grande tranqüilidade, lhe disse:
—Suleimán, verbena su— ( ou seja, traz-me um pouco de água) e continuou descrevendo-lhe com grande detalhe o ponto onde poderia encontrá-la. Era um pequeno poço para camelos, algumas centenas de jardas à direita. O jenizaro obedeceu.
Disse a Darvell:
— Como sabes isso?
—Por nossa posição— revelou —você deve notar que o lugar esteve habitado alguma vez e não poderia ser diferente se não houvesse mananciais. Ademais, já estive aqui antes.
—Você já esteve aqui! Como nunca o mencionou? E que fazia você em lugar semelhante onde nada pode permanecer um momento mais sem pedir ajuda?
A esta pergunta não recebi resposta alguma. Enquanto isso, Suleimán regressou com a água e deixou o guia e os cavalos na fonte. Parecia que ao mitigar sua sede Darvell reviveu por um momento; e alberguei a esperança de que pudesse continuar, ou pelo menos regressar, e o exortei a tentá-lo.
Ele guardou silêncio. Parecia pôr ordem em seus pensamentos antes de se esforçar para falar.
—Este é o fim de minha jornada —começou— e de minha vida; vim até aqui para morrer; porém tenho uma súplica a fazer: uma ordem que dar, pois tais devem ser minhas últimas palavras. Cumprirás?
—Desde logo; porém tenho melhores intenções.
—Eu não tenho esperanças, nem desejos, senão este: oculte minha morte a todo ser humano.
—Espero que não se presente a ocasião; você se recuperará e…
—Silêncio!, assim deve ser: prometa.
—Sim.
—Jure — aqui pronunciou um juramento de grande solenidade.
—Não há razão para tal, eu cumprirei com seu pedido; e duvidar de mim é…
—Não posso evitar, deve você jurar.
Pronunciei o juramento e isso pareceu aliviá-lo. Tirou do dedo um anel de selo, que tinha gravados alguns caracteres arábicos, e me deu.
—No nono dia do mês — continuou—, precisamente ao meio-dia (o mês que você gostar, porém o dia deve ser esse) você deverá arrojar este anel às fontes de água salgada que alimentam a baia de Eleusis. No dia seguinte, à mesma hora, deverá dirigir-se às ruínas do templo de Ceres e esperar uma hora…
—Para que?
—Já o verá
—Disse você que é o nono dia do mês?
—O nono.
Quando fiz a observação de que o presente era o nono dia do mês, seu semblante mudou e fez pausa. Enquanto estava sentado, debilitando-se visivelmente, uma cegonha com uma serpente no bico pousou sobre uma tumba próxima a nós; e, sem devorar sua presa, dava a impressão de nos observar fixamente. Não sei o que me impulsionou a espantá-la, porém o intento foi inútil; fez alguns círculos no ar e regressou exatamente ao mesmo lugar. Darvell apontou-a e sorriu. Falou —não sei se para si mesmo ou para mim – porém as palavras só foram:
—Está bem.
—Que é que está bem? Que queres dizer?
—Não importa; você deverá enterrar-me aqui esta noite, e no ponto exato em que está parada essa ave. Já conhece você o resto de minhas ordens.
Então começou a dar-me algumas instruções sobre como poderia ocultar melhor sua morte. Quando terminou, disse:
—Vê você essa ave?
—Claro.
—E a serpente que se retorce em seu bico?
—Sem dúvida; não há nada raro; é sua presa natural. Porém é estranho que não a devore.
Riu-se de uma maneira espectral e disse languidamente:
—Todavia não é o momento.
Enquanto falava, a cegonha empreendeu o voo. Segui-a com os olhos um instante: não pude haver tardado mais que em contar dez. Senti aumentar o peso de Darvell, por pouco que fosse, sobre meu ombro e, ao voltar a ver seu rosto, vi que havia morrido.
Impressionou-me a repentina certeza inconfundível: em poucos minutos seu semblante se tornou quase negro. Pudesse atribuir essa mudança tão rápida à ação de algum veneno, se não estivesse consciente de que não teve oportunidade alguma de tomá-lo sem que eu me desse conta. O dia se acercava a seu final, o corpo se decomporia com rapidez. Não restava nada mais que cumprir seu pedido. Com ajuda do iatagán,de Suleimán e de meu próprio sabre, escavamos uma tumba pouco profunda no sitio que Darvell havia indicado: a terra cedeu com facilidade: tempo atrás havia recebido um ocupante maometano.
Cavamos o mais profundo que o tempo permitiu e, arrojando a terra seca sobre tudo o que restava do ser tão singular que acabava de partir, cortamos alguns ramos do cipreste mais verde que crescia na terra menos desgastada que nos rodeava e o colocamos sobre seu sepulcro.
Entre o assombro e a pena, não podia derramar uma lágrima.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
academia umbrella
Um quadrinho de primeira. Enquanto a Devir não publica aqui, você pode baixar e ler no VERTIGEM, ótimo site de scans que eu acompanho já faz um tempo.
as palavras de marçal aquino
A MISSÃO
Da penumbra, oculto por um pilar, ele observou o homem atravessar o pátio. Um grandalhão com cara de sádico, armado com um cassetete. Poderia atacá-lo de surpresa, ele considerou, enquanto o homem se detinha e espiava ao redor, atento. Mas estava sem sua pistola e resolveu não correr riscos desnecessários. Preferiu esperar que o vigia terminasse a ronda.
Assim que se desfez no ar o som que o homem produziu, ao fechar atrás de si uma pesada porta de ferro, ele se moveu. Cruzou o pátio, aumentando a velocidade e a largura dos passos ao passar pela zona iluminada. De novo na penumbra, manteve-se imóvel por um tempo, recuperando o controle da respiração, o coração batendo acelerado. Ele conhecia bem o inimigo, sabia o que o aguardava se fosse apanhado. Mas isso não aconteceria. E o medo não iria impedi-lo de cumprir sua missão.
Um cachorro latiu em algum lugar ali perto. Ele aguçou os ouvidos, prendeu a respiração. E esperou. Nada aconteceu. O pátio continuou deserto e silencioso, azulado pela luz da lua.
A arma fazia falta, ele pensou. Com ela na mão, estaria mais confiante. Mas profissionais como ele eram preparados para lidar com situações adversas. Então deixou a penumbra e começou a galgar a calha, apoiando-se nas emendas. Cada movimento desprendia um ruído preocupante da estrutura de metal. Se a calha cedesse ao seu peso, ele olhou para baixo, seria uma queda e tanto. Foi nesse momento que escutou o barulho da chave na porta de ferro. E, com um arranque que fez ranger a calha inteira, alcançou a mureta e passou ao segundo piso.
Ali, permaneceu agachado, de olho no pátio. O som da calha ainda retinia em seu ouvido quando o grandalhão surgiu na área iluminada. Por um segundo, teve a impressão de que o homem olhou em sua direção e isso ó deixou tenso, com os músculos retesados. Mas o vigia parecia despreocupado: assobiava e batia o cassetete na palma da mão enquanto fazia o trajeto até o lado oposto do pátio.
Ele se levantou e passou a um corredor comprido, fracamente iluminado. Andava com cautela, pisando em silêncio, como um gato — fora treinado para isso. Até que, no final do corredor, uma porta trancada o deteve. Poderia arrombá-la com o ombro, mas na certa seria denunciado pelo barulho. Por isso, abaixou-se e forçou a maçaneta várias vezes, sem nenhum resultado prático. Então o som de passos às suas costas fez com que se erguesse como uma mola. Os dois homens se aproximavam devagar, obstruindo o corredor com seus corpos musculosos:
"Olha só o que temos aqui", disse um deles.
Aquele era o momento crítico de sua missão, e ele estava sem sua arma. Mas tivera muito trabalho para chegar até ali e não podia se render sem luta. Percebendo que ele se colocava em guarda, o homem à sua esquerda abriu os braços:
"Calma, ninguém precisa se machucar aqui".
Foi esse homem que ele atingiu de raspão com um soco, enquanto o outro o agarrava e ambos rolavam pelo chão. Ele esperneou, chutou e até mordeu um dos homens, mas acabou subjugado numa gravata tão apertada que o fez perder os sentidos.
Quando acordou, ele se sentia atordoado, com a boca pastosa. No interrogatório, do qual lembrava apenas detalhes imprecisos, tinham usado drogas para fazê-lo falar. Mas ele estava. certo de que não revelara nada, fora treinado para resistir até ao soro da verdade.
A mulher que entrou no quarto nesse momento era jovem e bonita e sorriu para ele de um jeito amistoso.
"Está tudo bem com você?” •
A voz soava macia, os gestos, calmos. O inimigo mudava de tática e agora tentava seduzi-lo. Ele se levantou da cama e cambaleou até a janela.
"Você vai acabar se machucando de verdade", a mulher disse.
E apontou a pilha de livros sobre o criado-mudo. Livros baratos, de papel ordinário.
“Seria melhor você parar de ler essas, porcarias, estão piorando a sua cabeça.”
Por entre as grades da janela, ele viu o pátio cercado por muros altos. E ficou em dúvida por um instante. Só um instante. Ela ainda falou que aquelas tentativas de fuga atrapalhavam o tratamento. Mas ele sabia que o inimigo tentava confundi-lo. Queriam que ele ficasse em dúvida sobre quem era e o que estava fazendo ali.
terça-feira, 5 de maio de 2009
The Hunt For Gollum
http://thehuntforgollum.s3.amazonaws.com/film.htm
http://www.dailymotion.com/gb/video/x93zji_the-hunt-for-gollum-hd-version_shortfilms
O filme “A Caçada a Gollum” (The Hunt for Gollum), iniciado em 2007, revela os acontecimentos que precederam a trilogia de “O Senhor dos Anéis” – ela envolve o mito do herdeiro de Isildur, o maior caçador e viajante da chamada Terra-Média, que saiu em busca de Gollum, a criatura que melhor conhecia quais eram as verdades e os mitos do Anel. Sendo assim, só o vilão Gollum poderia proteger o futuro do Ringbearer.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
as palavras de fernando bonassi
Nossa Senhora Aparecida
A casa de Devanir não se combina: porta de alumínio em batente de madeira, privada bege com lavatório azul; no piso, cerâmica, taco e cimento vermelho; uma parede de bloco, outra de tijolo cozido...
Não é que Devanir goste de misturar cores e formas, mas, desde que largou a família e se instalou no bairro, aceitou receber o que oferecessem pelo seu serviço.
O serviço que Devanir tem agora não teve desde sempre. Com o diploma de torneiro do Senai, saiu trabalhando por mais de 14 anos, mas o que precisava do cuidado de metalúrgico, as máquinas deixavam pronto, de maneira que foi se perdendo pelos empregos perdidos e acabou sem lugar de tirar sustento.
Esse serviço de Devanir começou de fim de semana, quando a arruaça abraçava a vila, e quem não era daquilo tinha de se trancar, rezando contra maldição, polícia e bala perdida.
O primeiro foi um velho que gritava no boteco do Soares. Devanir, de pai alcoólatra, não suportava esses tipos. Quando fez o bêbado sumir, ganhou muitas coisas pela gratidão das pessoas. Em seguida foi chamado pelo dono do depósito de material de construção, que dois moleques viviam pulando o muro pra roubar telha. Deu um jeito neles e ganhou um milheiro de tijolos. Aqueles da parede do fundo. Depois foram os estupradores: a porta de alumínio, o liquidificador, fogão e geladeira. Tinha se especializado: mandava ajoelhar, encomendava as almas e fazia o que tinha de ser feito.
No começo enjoava, mas depois acostumou. Devanir era devoto de Nossa Senhora Aparecida, porque um dia estava se afogando em São Vicente e, quando ele gritou o nome dela, veio como que uma mão do céu e o puxou de volta pra esta vida. A santa surgira de um rio, ele ressurgira do mar, então passou a pensar que tinha essa ligação com a padroeira. Por isso sempre encomendava as suas almas através dela. Também acreditava que, se a gente vem ao mundo pelo meio de uma mãe, deve ser levado dele por intermédio de outra. Coisas do Devanir...
Cada um dos dois cômodos da casa tem uma imagem de gesso pintado. Uma em cima da geladeira, outra em cima do guarda-roupa. As duas olhando com pena por dentro do manto.
As pessoas confiavam em Devanir, mas não sabiam que, nos últimos tempos, deu pra ouvir barulhos e ficar nervoso. Devanir foi ao médico e pediu remédio calmante. O remédio dava sono, mas o barulho diminuía.
Sexta-feira passada Devanir tinha acertado de dormir no posto de gasolina do Filó, que malandro andava estourando os armários pra roubar óleo de motor. Devanir tomou banho, engoliu dois comprimidos, pegou carteira, cigarros e, por incrível que pareça, quando colocou no pescoço a medalhinha da Nossa Senhora, nada mais nada menos que ela própria apareceu na sua frente.
— De... va... nir...
Devanir olhou bem pra aparição. Parecia mais escurinha que a estátua, mas ele não comentou.
— De... va... nir...
A santa sentou na cômoda enquanto Devanir lia a bula do remédio. Falava em alucinação, mas ele não entendeu direito. Sussurrou:
— Mãe... Mãezinha?
Depois baixou pra beijar a mão da santa, mas ela puxou o braço.
— Orgulhosa...
— De... va... nir...
— Fala, mãezinha!
Devanir percebeu que ela não abria a boca, mas deu pra ouvir:
— Devanir... você é um bosta.
A voz ecoava dentro do quarto, mas não tinha espaço pra tanto eco. Ele deu um passo pra trás, tropeçou na cama e caiu deitado.
— Que é isso, Mãezinha?! Chamo sempre que tô pra acabar com um e a senhora me chega com essa?!
— Você não pode fazer isso...
Devanir aproveitou pra pegar o revólver e enfiar por trás da calça:
— Como? Deixo essa gente desprotegida?!
— Você é burro, Devanir.
Devanir abriu a janela.
— Se veio aqui pra me humilhar, então pode ir saindo.
— Eu quero a sua promessa...
Devanir olhou pro relógio, já passava mais de hora do encontro com Filó. Valia televisão de 20 polegadas e ele ficou ansioso.
— Mais promessa?! De quê?
— Pára de matar criança, Devanir...
Devanir sentiu como se a medalhinha pesasse um quilo. Não conseguia encarar a santa, mas disse:
— Que criança o quê! Essa gente aí fica pronta e estragada com 12, 13... não tem nada de criança não... A senhora devia saber disso.
— Eu sei, Devanir... Eu sei... E você, que é um cagão, o que você sabe?
— Eu sei isso daqui, ó...
Devanir puxou a arma e disparou. A bala flutuou pelo corpo da santa e foi estilhaçar o gesso por cima do guarda-roupa. Ela olhou pra própria imagem aos pedaços e riu. Devanir sentiu falta de ar, caiu de joelhos e chorou. Quando se ergueu, a santa tinha desaparecido. Então sentiu um pouco de vergonha e prometeu não tomar mais aquele remédio esquisito, mas ninguém sabe se deixou de fazer maldade.
O SEQUESTRO DO METRÔ
Mais um remake (blergh!) de um ótimo filme, um filme com elementos que as novas gerações conhecem bem: "...aqueles bandidos com roupas iguais, codinomes Blue, Brown, Grey, Green, um tira infiltrado e o psicopata da gangue surtando. Todos sabemos onde isso foi parar." Copiado do ótimo (um dos melhores blogs) sobre cinema que visito, o QUIXOTANDO.
domingo, 3 de maio de 2009
Takeshi Miike's
UM BRASILEIRO E UMA CHINESA TENTAM FUGIR DO JAPÃO. NA COLA DE AMBOS, A YAKUZA, AS TRIADES, E MUITA BIZARRICE E VIOLÊNCIA DE PRIMEIRA! BRIGAS DE GALO, ZOOFILIA, CAPOEIRA, BRASILEIROS DE SOTAQUES ESTRANHOS E BRASILEIROS DE VERDADE...
domingo, 26 de abril de 2009
sábado, 25 de abril de 2009
“O Senhor dos Anéis” (A Caçada a Gollum)
Fãs de “O Senhor dos Anéis” (The Lord of the Rings) produziram um filme de 40 minutos que conta o início da saga, ainda inédito no cinema.
A produção foi realizada com um orçamento infinitamente menor do que o gasto nos três filmes do cineasta Peter Jackson. Com 3.000 euros (o equivalente hoje a R$ 9 mil, valor irrisório perto dos 190 milhões de euros (cerca de R$ 570 milhões) investidos na megaprodução, o jovem cineasta britânico Chris Bouchard se baseou nas informações do apêndice do livro do escritor inglês JRR Tolkien, que deu origem à famosa série de cinema.
O filme “A Caçada a Gollum” (The Hunt for Gollum), iniciado em 2007, revela os acontecimentos que precederam a trilogia de “O Senhor dos Anéis” – ela envolve o mito do herdeiro de Isildur, o maior caçador e viajante da chamada Terra-Média, que saiu em busca de Gollum, a criatura que melhor conhecia quais eram as verdades e os mitos do Anel. Sendo assim, só o vilão Gollum poderia proteger o futuro do Ringbearer.
O filme "A Caçada a Gollum" tem estreia prevista para dia 3 de maio
quinta-feira, 16 de abril de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
terça-feira, 14 de abril de 2009
BETSY...
Antes da viagem ele notara que Betsy mostrava um apetite incomum. Depois surgiram outros sintomas, ingestão excessiva de água, incontinência urinária. O único problema de Betsy até então era a catarata numa das vistas. Ela não gostava de sair, mas antes da viagem entrara inesperadamente com ele no elevador e os dois passearam no calçadão da praia, algo que ela nunca fizera. No dia em que o homem chegou, Betsy teve o derrame e ficou sem comer. Vinte dias sem comer, deitada na cama com o homem. Os especialistas consultados disseram que não havia nada a fazer. Betsy só saia da cama para beber água.
O homem permaneceu com Betsy na cama durante toda a sua agonia, acariciando seu corpo, sentindo com tristeza a magreza de suas ancas. No último dia, Betsy, muito quieta, os olhos azuis abertos, fitou o homem com o mesmo olhar de sempre, que indicava o conforto e o prazer produzidos pela presença e pelos carinhos dele. Começou a tremer e ele a abraçou com mais força. Sentindo que os membros dela estavam frios, o homem arranjou para Betsy uma posição confortável na cama. Então ela estendeu o corpo, parecendo se espreguiçar, e virou a cabeça para trás, num gesto cheio de langor. Depois esticou o corpo ainda mais e suspirou, uma exalação forte. O homem pensou que Betsy havia morrido. Mas alguns segundos depois ela emitiu novo suspiro. Horrorizado com sua meticulosa atenção o homem contou, um a um, todos os suspiros de Betsy. Com o intervalo de alguns segundos ela exalou nove suspiros iguais, a língua para fora, pendendo do lado da boca. Logo ela passou a golpear a barriga com os dois pés juntos, como fazia ocasionalmente, apenas com mais violência. Em seguida, ficou imóvel. O homem passou a mão de leve no corpo de Betsy. Ela se espreguiçou e alongou os membros pela última vez. Estava morta. Agora, o homem sabia, ela estava morta.
A noite inteira o homem passou acordado ao lado de Betsy, afagando-a de leve, em silêncio, sem saber o que dizer. Eles haviam vivido juntos dezoito anos.
De manhã, ele a deixou na cama e foi até a cozinha e preparou um café puro. Foi tomar o café na sala. A casa nunca estivera tão vazia e triste.
Felizmente o homem não jogara fora a caixa de papelão do liqüidificador. Voltou para o quarto. Cuidadosamente, colocou o corpo de Betsy dentro da caixa. Com a caixa debaixo do braço caminhou para a porta. Antes de abri-la e sair, enxugou os olhos. Não queria que o vissem assim.
Rubem Fonseca.
sábado, 11 de abril de 2009
Branded to Kill (1967) [Trailer]
Mais um filmaço de Seijun Suzuki, considerado a sua obra prima no gênero!
tóquio violenta
Para fãs de John Woo, Takeshi Kitano, Jim Jamursh, Tarantino...
Seijun Suzuki fez um filme - desculpe, filmaço - com todos aqueles elementos que os fãs de gangsters e filmes violentos adoram. Estiloso e original - para a época - é daqueles filmes obscuros que na verdade são clássicos, do tipo que é imitado e reverenciado à exaustão.
domingo, 5 de abril de 2009
frases de filmes: Gladiador
"Conheci um homem que disse uma vez que a morte sorri a todos nós. Tudo que podemos fazer é sorrir de volta..."
quinta-feira, 2 de abril de 2009
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Joãozinho 6 X 0 Professora.
Aproveitando-se disso, Joãozinho grita para o outro grupo:
- Nós vamos arrasar com vocês, cambada de idiotas!!!!!!
Começa a disputa...
- Quem descobriu a América?
O grupo de Joãozinho responde:
- Cristóvão Colombo!
E o Joãozinho grita: Eu não falei? Bando de orelhudos, 1 a 0 !!!
A professora lhe repreende:
- Que idioma se fala na Espanha?
O grupo de Joãozinho responde:
- Espanhol, fessora!!!!
E o Joãozinho:
- Viram só? Seus filhos duma égua, 2 a 0 !!
A professora lhe repreende:
- Cala a boca Joãozinho!!!
Terceira pergunta:
- Como Cristóvão Colombo chegou à América?
O grupo de Joãozinho responde:
- Nas caravelas.
Joãozinho, emocionadíssimo, disse:
- Eu bem que avisei, seus sacos de merda, 3 a 0!!!
A professora, de saco cheio, grita:
- Joãozinho!!! Levanta e sai, porra!!!
Joãozinho responde de imediato:
- O pênis, fessora! Show! 4 a 0 seus babacas !!!
A professora indignada volta a gritar:
- Joãozinho, sai e não volta mais !!!!! Joãozinho contente responde:
- O cocô, professora. Hahaha, se fuderam, 5 a 0 !!!
A professora, não agüentando mais, grita:
- Joãozinho, SAI E NÃO VOLTA DENTRO DE UM MÊS !!!
Joãozinho, feliz da vida, responde aos berros:
- MENSTRUAÇÃO!!! PUTA QUE PARIU, 6 a 0. Eu sou foda!!!
